segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O QUE É PRECISO É CRIAR DESASSOSSEGO - JOSÉ AFONSO

 José Afonso no concerto do Coliseu dos Recreios, em 1983, posteriormente editado em disco

José Afonso no concerto do Coliseu dos Recreios, em 1983, posteriormente editado em disco
Foto Rui Ochoa

«O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar alibís para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de “homenzinhos” e “mulherzinhas”. Temos é que ser gente, pá!»

José Afonso em entrevista a Viriato Teles, in «Se7e», 27/11/85


José Afonso, homem integro e comprometido com a justiça social, a liberdade, a fraternidade, a solidariedade e a igualdade entre os povos, por isso, foi perseguido pela ditadura fascista colonialista.

1967 - foi expulso do ensino oficial, onde era professor, e só soube da expulsão quando se apresentou ao serviço, após receber alta da clínica onde esteve internado, devido a doença grave.

1973 - é preso pela PIDE e mandado para o Forte/Prisão de Caxias, onde esteve vinte dias.

Como estava comprometido com a luta pela liberdade, a justiça social, a fraternidade, a igualdade, participava activamente em actividades culturais e antifascistas, continuava a estar sob a vigilância da PIDE, tendo sido obrigado a  passar à clandestinidade, mas a polícia política perseguia-o, para o prender de novo, quando a ditadura fascista colonialista foi derrubada, em 25 de Abril de 1974.   

O seu compromisso com a luta pela liberdade, a justiça social, a fraternidade, a solidariedade e a igualdade, foi sempre genuíno e sem pretender obter, para si próprio ou para a sua família, dividendos ou honras de nenhum tipo, como o prova e demonstra a sua recusa em receber condecorações oficiais, quando lhe foram atribuídas, por exemplo, pelo Presidente da República Ramalho Eanes.

José Afonso deixou-nos no dia 23 de Fevereiro de 1987, levado pela esclerose lateral amiotrófica, que tinha sido diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, sendo acompanhado por mais de trinta mil pessoas.

Fisicamente ausente, mas enquanto houver quem o ouça, leia e consulte a sua obra, continua entre nós e as gerações vindouras.

"Os Vampiros", de 1963. O "Venham Mais Cinco", de 1973, gravado em Paris, com a direcção musical de José Mário Branco. 

A sua vasta obra, são parte integrante da Cultura e da História Integral Portuguesa e Universal e, dado o contexto histórico de ascensão das forças nazi-fascistas, está actual e deve ser ouvida e lida com a atenção devida.

Fonte: aja.pt/biografia.