
«O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar alibís para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (…) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de “homenzinhos” e “mulherzinhas”. Temos é que ser gente, pá!»
José Afonso em entrevista a Viriato Teles, in «Se7e», 27/11/85
José Afonso, homem integro e comprometido com a justiça social, a liberdade, a fraternidade, a solidariedade e a igualdade entre os povos, por isso, foi perseguido pela ditadura fascista colonialista.
1967 - foi expulso do ensino oficial, onde era professor, e só soube da expulsão quando se apresentou ao serviço, após receber alta da clínica onde esteve internado, devido a doença grave.
1973 - é preso pela PIDE e mandado para o Forte/Prisão de Caxias, onde esteve vinte dias.
Como estava comprometido com a luta pela liberdade, a justiça social, a fraternidade, a igualdade, participava activamente em actividades culturais e antifascistas, continuava a estar sob a vigilância da PIDE, tendo sido obrigado a passar à clandestinidade, mas a polícia política perseguia-o, para o prender de novo, quando a ditadura fascista colonialista foi derrubada, em 25 de Abril de 1974.
O seu compromisso com a luta pela liberdade, a justiça social, a fraternidade, a solidariedade e a igualdade, foi sempre genuíno e sem pretender obter, para si próprio ou para a sua família, dividendos ou honras de nenhum tipo, como o prova e demonstra a sua recusa em receber condecorações oficiais, quando lhe foram atribuídas, por exemplo, pelo Presidente da República Ramalho Eanes.
José Afonso deixou-nos no dia 23 de Fevereiro de 1987, levado pela esclerose lateral amiotrófica, que tinha sido diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, sendo acompanhado por mais de trinta mil pessoas.
Fisicamente ausente, mas enquanto houver quem o ouça, leia e consulte a sua obra, continua entre nós e as gerações vindouras.
"Os Vampiros", de 1963. O "Venham Mais Cinco", de 1973, gravado em Paris, com a direcção musical de José Mário Branco.
A sua vasta obra, são parte integrante da Cultura e da História Integral Portuguesa e Universal e, dado o contexto histórico de ascensão das forças nazi-fascistas, está actual e deve ser ouvida e lida com a atenção devida.