quarta-feira, 11 de março de 2026
Poemas e uma História Fabulosa de Joaquim Pessoa
segunda-feira, 9 de março de 2026
Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen
O MAR DOS MEUS OLHOS
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma
LIBERDADE
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
EXÍLIO
Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades
AS ROSAS
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ter melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
DATA
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo que mata quem o denuncia
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rastro
Tempo da ameaça
MAR
I
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.
INICIAL
O mar azul e branco e as luzidias
Pedras: O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.
AUSÊNCIA
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
OS RITMOS
Inventei a dança para me disfarçar.
Ébria de solidão eu quis viver.
E cobri de gestos a nudez da minha alma
Porque eu era semelhante às paisagens esperando
E ninguém me podia entender.
POEMA AZUL
O mar beijando a areia
O céu e a lua cheia
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu
E a lua cheia
Que prateia os cabelos do meu bem
Que olha o mar beijando a areia
E uma estrelinha solta no céu
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu e a lua cheia
um beijo meu
sábado, 7 de março de 2026
Sindicatos iranianos dizem: “A classe trabalhadora não ganha nada com a guerra”

Os trabalhadores do Irão – operários, professores, enfermeiros, reformados e outros assalariados – não ganharam nem ganharão nada com a guerra, a crescente militarização, os bombardeamentos ao país ou as políticas imperialistas e exploradoras
Dadas as actuais condições instáveis e perigosas no Irão e na região, as organizações signatárias acreditam ser seu dever tomar uma posição colectiva.
Os trabalhadores do Irão – operários, professores, enfermeiros, reformados e outros assalariados – não ganharam nem ganharão nada com a guerra, a crescente militarização, os bombardeamentos ao país ou as políticas imperialistas e exploradoras.
Os ataques de Israel e o bombardeamento de centenas de alvos em diversas partes do Irão – incluindo infraestruturas, locais de trabalho, refinarias e zonas residenciais – fazem parte de um projecto belicista cujo preço é pago pelas pessoas comuns, especialmente as classes trabalhadoras, com as suas vidas, meios de subsistência e bem-estar.
A alegação de que Israel não tem nada contra o povo iraniano não passa de mentira e propaganda política. O ministro da Defesa israelita ameaçou “incendiar Teerão”. As repetidas ameaças de Trump e de outros responsáveis norte-americanos, juntamente com o apoio irrestrito dos governos ocidentais a tais acções, apenas alimentaram ainda mais a tensão, a insegurança e a destruição na região.
Os governos de Israel e dos Estados Unidos estão entre os principais perpetradores do genocídio em curso em Gaza e de muitos outros crimes na região e no mundo. As Nações Unidas e outras instituições internacionais que, hipocritamente, se apresentam como defensoras da paz enquanto se mantêm em silêncio perante tais atrocidades, também fazem parte desta estrutura de dominação. Todo o sistema capitalista global – a sua lógica orientada para o lucro e os seus poderes imperialistas – é uma das principais causas das guerras, das catástrofes humanas e da destruição ambiental.
A classe operária iraniana não só não ganha nada com a guerra, como é directamente afectada por estes conflitos em termos de vida e segurança. As sanções económicas contínuas, as alocações orçamentais maciças para fins militares e a supressão das liberdades conduzirão a uma pobreza ainda maior, à repressão generalizada, à fome, à morte e ao deslocamento de milhões de pessoas.
Nós, trabalhadores independentes, organizações populares e activistas do Irão, não temos ilusões sobre a pretenção dos EUA e Israel de trazer-nos liberdade, igualdade ou justiça – tal como não temos ilusões sobre a natureza repressiva, intervencionista, aventureira e anti-operária da República Islâmica.
Nós, trabalhadores e operários iranianos, pagamos há anos um preço elevado – prisão, tortura, execução, despedimento, ameaças e espancamentos – na nossa luta para conquistar os direitos mais básicos e condições de vida dignas, e ainda estamos privados do direito de nos organizarmos, de nos reunirmos e de falarmos livremente. Os trabalhadores e os oprimidos deste país estão justificadamente revoltados e desiludidos com a República Islâmica e as elites capitalistas que acumularam riquezas astronómicas à nossa custa durante mais de quatro décadas, enquanto nos mantêm sem direitos e num estado de insegurança perpétua. Todos os funcionários e instituições envolvidos na repressão e no assassinato de trabalhadores, mulheres, jovens e do povo oprimido do Irão devem ser julgados e punidos pelo próprio povo.
A nossa luta enquanto trabalhadores é uma luta social e de classe. Avançará com base na nossa própria força, dando continuidade a movimentos recentes como o Pão, o Trabalho, a Liberdade e Mulher, a Vida, a Liberdade, e através da solidariedade com a classe trabalhadora internacional e com as forças humanitárias, amantes da liberdade e que lutam pela igualdade.
A continuidade do atual caminho da guerra resultará apenas em mais destruição, danos irreparáveis ao ambiente e repetidos desastres humanos. A classe trabalhadora iraniana e a população desfavorecida do país – bem como os oprimidos noutras nações da região – estão entre as principais vítimas desta situação.
As organizações signatárias apelam a todos os sindicatos, organizações de direitos humanos, grupos pacifistas, activistas ambientais e forças amantes da paz de todo o mundo para se unirem para exigir o fim imediato da guerra, dos bombardeamentos, do assassinato de inocentes e da destruição ambiental, e para apoiarem as lutas do povo do Irão e da região nos seus esforços para pôr fim ao genocídio, à beligerância e à repressão.
Os povos do Médio Oriente necessitam do fim das tensões devastadoras entre as potências regionais e globais e do estabelecimento de uma paz duradoura – uma paz na qual as pessoas possam determinar os seus próprios destinos através da organização, das associações de massas, do alargamento dos protestos e da participação directa e colectiva.
Não à guerra – Não às políticas belicistas
Cessar-fogo imediato é a nossa exigência urgente.
Assinado por:
Sindicato dos Trabalhadores de Autocarros de Teerão e Subúrbios
Sindicato dos Trabalhadores da Cana-de-Açúcar de Haft-Tappeh
Trabalhadores Reformados do Khuzistão
Aliança dos Reformados
Comité Coordenador para a Formação de Organizações de Trabalhadores
Grupo de Unidade dos Aposentados
artigo transcrito de: https://bandeiravermelhablog1.wordpress.com/2026/03/03/sindicatos-iranianos-dizem-a-classe-trabalhadora-nao-ganha-nada-com-a-guerra/ Março 3, 2026 / bandeiravermelha001
quinta-feira, 5 de março de 2026
MAU TEMPO NOS CANAIS - Joaquim Pessoa