A crise climática é uma crise existencial da Humanidade. Nunca estivemos tão perto de um cenário de catástrofes em cascata que colocam em risco de colapso as bases físicas e químicas da civilização.
A crise climática não acontece no vazio, acontece em sociedade e afeta as relações de poder. Mas a crise climática é também causada exatamente por estas relações de poder. É uma crise do capitalismo; é – como qualquer outra crise do capitalismo – uma crise da natureza expansiva do capitalismo e que o capitalismo tenta resolver com um novo salto expansivo.
A Justiça Climática é então a lente que nos permite analisar as causas profundas da crise climática. Colocando o contexto social e histórico no centro da análise, torna-se claro porque é que esta crise está a acontecer agora e nestes termos. Porque é que estamos tão perto de ter bilionários pela primeira vez na história e estamos simultaneamente a perder cidades inteiras devido ao colapso climático como aconteceu, no verão passado, na Líbia, na maior tempestade alguma vez registada no Mediterrâneo, mais de 20 mil pessoas morreram afogadas nas suas casas em Derna, arrastadas para o mar ou eletrocutadas?
Neste número dois da revista, cujo conselho editorial foi assumido pelo CIDAC e pelo Climáximo, olhámos exatamente para este caráter sistémico do capitalismo.
O Problema é o Sistema – Luta livre

João Camargo apresenta o capitalismo fóssil, um sistema entrelaçado de combustíveis fósseis e acumulação do capital. Andreas Malm, investigador-ativista que introduziu o conceito de “capitalismo fóssil”, explica a conexão histórica e estrutural entre o capital e os combustíveis fósseis. O livro “Tudo pode mudar” de Naomi Klein, recenciado por Leonor Canadas, conta-nos detalhadamente como o capitalismo fóssil, hoje e agora, gere e reproduz a crise climática.
Com este enquadramento em mente, olhámos para as políticas públicas e práticas empresariais atuais, com a ajuda de Mariana Riquito, investigadora e ativista, e descobrimos que, apesar dos comunicados e conferências de imprensa a dizer que está tudo sob controlo, estamos a passar por uma expansão energética e não por uma transição energética.
A expansão energética é empírica e acontece na vida real. Rehema Peter explica-nos o mega-projeto de oleoduto na Tanzânia e no Uganda, o East African Crude Oil Pipeline. Miguel de Barros, da Tiniguena, conta como o financiamento verde e os esquemas de compensação funcionam na Guiné-Bissau. A Mariana Riquito analisa como a expansão energética se manifesta com os projetos de mineração no Barroso. Finalmente, o texto elaborado pelo CIDAC, traz-nos a experiência do movimento francês Les Soulèvements de la Terre e a forma como se têm construído alianças populares para proteger os territórios contra os mega-projetos da expansão energética.
Em todos estes exemplos atuais da expansão energética, as populações e as organizações pela justiça climática constroem resistência e alternativas. Para dar algum contexto a esta participação popular, desenhámos um mapa com alguns dos principais movimentos pela justiça climática no mundo e, numa conversa entre Vera Ferreira, Luís Fazendeiro e Guilherme Luz, exploramos o que seria a democracia energética e a transição energética e social justa.
Travar a crise climática e construir a Justiça Climática será equivalente a desmantelar o sistema económico atual e construir Outras Economias.
Fonte: SINTAB
Vimos expressar a nossa solidariedade e apoio a todas as pessoas, cidadãs e cidadãos, que trabalham na Nobre. A Classe Trabalhadora da Nobre, que no próximo dia 31 de Maio de 2024 vai fazer a sua décima primeira greve, desde o ano passado, e não vai ser a última, porque a corporação multinacional recusa negociar o caderno reivindicativo apresentado pelas Trabalhadoras e Trabalhadores. Demonstrando, assim, a sua unidade, organização, mobilização e determinação em lutar por melhores condições de trabalho e de vida.
As corporações multinacionais compram empresas/marcas já implementadas nos mercados, e em países onde as classes trabalhadoras tem salários miseráveis e a legislação, inclusive a laboral, lhe é favorável, como é o caso do nosso país.O Estado, através da ideologia que incute e da lei que a reflecte - a lei vai variando consoante a correlação de forças existente entre o capital e o trabalho - defende intransigentemente os interesses das corporações capitalista, atacando, de todas as formas e métodos variáveis, a unidade e a organização da classe trabalhadora, enfraquecendo assim a sua capacidade de luta e mobilização em defesa dos seus direitos e da sua estratégia integrada de transformação social.
A luta das pessoas que trabalham nesta corporação multinacional é justa, e insere-se na luta mais geral da classe trabalhadora, em defesa de direitos básicos como, por exemplo, negociar um caderno reivindicativo, um acordo de empresa, com aumentos salariais para todas as trabalhadoras e trabalhadores, assim como melhores condições de trabalho, higiene e segurança. Com vista a evitar doenças laborais que as incapacitam para a actividade profissional, pessoal e familiar, até ao fim das suas vidas…
E, até agora a corporação multinacional, demonstrando profundo desprezo pelas pessoas que nela trabalham e lhes garantem lucros chorudos, não só recusa as justas reivindicações como pretende retirar alguns dos direitos conquistados anteriormente.
Para isso, conta com as direcções sindicais que os servem e traem, desmobilizam e dividem as pessoas da classe trabalhadora. Esta tem que estar atenta e não se deixar manipular pelas falinhas mansas de semelhantes personagens.
Relembremos, todos os direitos que a classe trabalhadora conquistou, conquistou-os colectivamente, unida, organizada e determinada, sempre através da luta nos locais de trabalho e nas ruas, isto é, com greves, manifestações, concentrações e, sempre, com determinação...
Como está provado e comprovado historicamente.
E ficou, mais uma vez, demonstrado à 50 anos.
Nada foi oferecido, tudo foi conquistado, através da luta unida e organizada.
O estado a que chegámos! Deve-se ao refluxo da luta, em vez de reforçarmos a unidade, organização e mobilização, com vista a conquistar a justiça social, económica e cultural, dividi-mo-nos e, consequentemente, perdemos muito do que tínhamos conquistado.
O actual processo de Luta das Trabalhadoras e Trabalhadores da corporação multinacional Nobre é, para além do histórico, uma clara demonstração da força e determinação da classe trabalhadora, com vista a conquistar melhores condições de trabalho e de vida. E, assim, vamos, colectivamente, adquirindo consciência da nossa condição de classe e sede de justiça social, económica e cultural.
"ALCANÇA QUEM NÃO CANSA" - Era a máxima de Aquilino Ribeiro